• 16 de outubro de 2021

Como cultivar cannabis de forma legal e sem Habeas Corpus

 Como cultivar cannabis de forma legal e sem Habeas Corpus

Imagem: Unsplash

Em ações como essa, o cultivo não é abordado como uma exceção de algo ilegal, mas um direito do paciente pela saúde. Entenda

O mês de junho foi marcado por uma decisão inédita na justiça, que garantiu o cultivo legal de cannabis por 10 pacientes. Contudo, nenhum deles entrou com um pedido de habeas corpus, mas todo o processo seguiu através da esfera cível.

A decisão ainda provisória foi dada pelo juiz Umberto Paulini, da 21ª Vara da Seção Judiciária do DF. Essa foi a primeira vez que a autorização de cultivo legal não foi feita por esfera criminal.

É possível pedir  o cultivo legal pela esfera cível? 

Segundo o advogado Gabriel Pietricovsky, que participou da ação, o processo é praticamente o mesmo de um pedido de HC, o que vai mudar é o olhar do juiz sobre a decisão.

“As documentações são praticamente as mesmas de um processo criminal, a diferença é a análise do juiz, ele não vai analisar sobre um prisma de liberdade ou não, ele vai analisar unicamente com um olhar de saúde”, argumenta.

Contudo, esse tipo de abordagem é um pouco mais criteriosa, envolvendo perícia médica, área de plantio e fiscalização. 

Requisitos iguais

Pietricovsky, que já atuou em mais de 20 ações como essa, ressalta que o processo é parecido, é bem parecido e analisado em uma velocidade equivalente com requisitos como:

  • Documentos pessoais. Tanto do paciente quanto do responsável, além de certidão de nascimento ou RG, CPF e também comprovante de residência;
  • Prescrição médica. A prescrição é essencial. Aqui é importante que a prescrição acompanhe o CID da doença e o CRM do médico, tanto para indicação de importação quanto para o artesanal;
  • Laudo médico. O histórico deve ser bem detalhado, deve conter todos os tratamentos já usados e os seus efeitos colaterais. Deve apontar quando o paciente começou a usar a cannabis e qual a melhora na qualidade de vida. O documento também precisa mostrar também que o paciente não tem condições econômicas para arcar com a exportação.

É importante que o laudo enfatize que não há medicamento nacional acessível e que a melhora só foi obtida graças ao óleo medicinal. Resumindo, o laudo deve servir de fundamento para o uso da cannabis medicinal.

  • Autorização de importação. Caso já tenha importado o produto antes é importante mostrar a receita, para comprovar que já faz o uso da cannabis. Caso tenha a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importar, melhor.
  • Curso de extração. Tanto para pedir um habeas corpus quanto obter a autorização pela esfera cível deve saber as técnicas de cultivo e extração do óleo da cannabis. Também serve uma autodeclaração de experiência.
  • Manuscrito. O paciente ou o familiar responsável deve declarar por escrito a história de vida do paciente com a doença, tratamentos e melhoras. (tente ser detalhista)
  • Orçamento do produto.  Você precisa mostrar quanto pagava no produto importado para mostrar que não tem condições para arcar com os custos.

Há outros fatores importantes também a considerar que não são essenciais, mas podem fazer toda a diferença no processo.

Imagem: Unsplash
  • Conversar com um advogado. É importante encontrar alguém que tenha familiaridade com o tema cannabis. O advogado precisa saber há quanto tempo você planta, qual a espécie, o número de plantas e onde aprendeu a cultivar.

Uma vez que a pessoa já cultiva de forma ilegal, é bom ter um respaldo jurídico.

Gabriel Petrovicky ainda acrescenta que a receita médica comprova a finalidade do uso, e a aprovação da Anvisa é importante para mostrar uma certa incoerência nas leis, onde o país permite a importação, mas não permite o auto cultivo legal. 

 “O curso de cultivo também comprova que a pessoa tem capacidade técnica não só do cultivo, mas para conseguir extrair os canabinoides da planta”, ressalta.

Requisitos a mais para o cultivo legal

Contudo, processos feitos pela esfera cível são um pouco mais exigentes e demandam alguns detalhes a mais, como por exemplo:

  • Perícia médica. Mesmo apresentando um laudo, o juiz ainda pode pedir uma perícia médica, onde o médico que fará a avaliação é indicado pelo meritíssimo, o que pode complicar um pouco. No Brasil, nem todos os médicos concordam com a adoção da terapia canábica, pois os estudos ainda são relativamente novos.
  • Restrições de plantio. No processo cível até a área de plantio
  • da cannabis precisa ser demarcada e anexada no processo. Tanto o espaço quanto o número de plantas será estritamente definido
  • Fiscalização a cada seis meses. Apesar do processo criminal também envolver uma fiscalização para saber se o paciente não está desviando as suas finalidades, aqui é possível que a vistoria seja feita periodicamente.
Tainara Cavalcante

Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

Mais Notícias