Maconha pode causar infertilidade em adolescentes, segundo estudo

Maconha pode causar infertilidade em adolescentes, segundo estudo

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A pesquisa mostrou uma redução de quase 50% do número de folículos ovarianos saudáveis na idade adulta de camundongos “adolescentes “

Maconha pode causar infertilidade em adolescentes, segundo estudo
Foto: Freepik

Proibido para menores. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia Irvine (UCI), a maconha no início da adolescência da mulher pode prejudicar a sua fertilidade de forma permanente.

Publicado na revista científica Toxicological Sciences, a pesquisa mostrou que em adolescentes o uso do THC (Tetrahidrocanabinol), componente que gera o “barato” da maconha, pode comprometer em quase 50% o número de folículos ovarianos saudáveis ​​na idade adulta.

“É imperativo divulgar amplamente as consequências da exposição precoce à cannabis na saúde reprodutiva na idade adulta”, alerta a  principal autora do estudo Ulrike Luderer, professora de saúde ambiental e ocupacional no Programa UCI em Saúde Pública em comunicado. 

Como o estudo foi feito

Para chegar a esta conclusão, a equipe de pesquisadores testou a hipótese em camundongos, que receberam THC antes de chegar à idade adulta por duas semanas. A ideia era observar os efeitos em momentos diferentes após a injeção da substância.

Assim, eles perceberam que as fêmeas tiveram o número de folículos ovarianos saudáveis reduzidos em quase 50% nos chamados folículos primordiais, unidades reprodutivas fundamentais do ovário e que não são renováveis. 

A suspeita é que a queda dos folículos ovarianos é resultado da ativação acelerada dos folículos que estão em repouso, seguido pela morte de folículos associada aos danos no DNA em estágios posteriores ao desenvolvimento.

E como a maconha entra na história?

A cannabis funciona através do chamado Sistema Endocanabinoide, que está presente em quase todo o organismo e ajuda a restaurar o equilíbrio de várias funções do corpo, como fome, sono e humor.

Este sistema trabalha por meio de receptores que fazem a sinalização para que as mudanças aconteçam e os componentes da cannabis como o THC, por exemplo, podem ativá-los.

A suspeita é que estes receptores também estejam presentes nos folículos ovarianos. Portanto, a ativação acelerada pode ser causada pela cannabis e prejudicar a vida reprodutiva em pessoas ainda em fase de desenvolvimento.

Maconha na adolescência

Não é de hoje que os estudos têm mostrado que o uso da maconha na adolescência pode ser prejudicial. 

Segundo uma pesquisa realizada na Universidade de Vermont em Burlington, nos Estados Unidos em 2021, a cannabis na adolescência pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro, principalmente na região relacionada à orientação e tomada de decisões. 

Em 2019 o professor de psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Yale, Deepak Cyril D’ Souza, levantou preocupações com os legisladores estaduais sobre o risco da maconha no cérebro em desenvolvimento, que não termina até os 25 anos de idade.

Os dados sobre o início da psicose com o consumo de cannabis e até mesmo uma queda no QI entre os jovens adultos levaram os médicos, incluindo Gregory Shangold, da Sociedade Médica do Estado de Connecticut, a pressionar os legisladores a tornarem 25 anos a idade legal para o consumo de maconha.

Outra médica, a pediatra Deepa Camenga, de Yale, especializada em medicina para adolescentes, disse que é melhor que os jovens esperem até os 25 anos antes de decidirem se querem experimentar a maconha.

Consulte um médico 

É importante ressaltar que qualquer produto feito com a cannabis precisa ser prescrito por um médico, que poderá te orientar de forma específica e indicar qual o melhor tratamento para a sua condição.

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