• 16 de maio de 2022

No mercado canábico não existe concorrência, existe resistência!

 No mercado canábico não existe concorrência, existe resistência!

Toda startup nasce para solucionar um problema, que deve ser analisado em detalhes, testado e medido até ser validado no mercado o mais rápido e barato possível. 

O discurso parece simples de executar. Mas como dá para validar o problema que uma startup canábica no Brasil pode resolver com seus produtos e serviços se a maioria da população não tem ideia da dor que sofre ao não ter acesso aos benefícios da cannabis?

É possível seguir à risca a receita de bolo do ‘Startup Enxuta”, obra clássica do Eric Ries, quando os ingredientes do mercado canábico brasileiro são a desinformação, falta de acessibilidade financeira, preconceito e a morte diária de milhares de pessoas por causa da engessada Lei de Drogas? 

O outro lado

As perguntas são muitas e as respostas ainda são difíceis de serem dadas com precisão. Mas os questionamentos são essenciais para entender como é esse caminho que nós hempreendedoras desejamos cruzar até uma indústria da Cannabis, servem para avaliar como a nossa consciência estará quando chegarmos ao outro lado.

E o principal, como será este outro lado. Precisamos direcionar a caminhada do “green rush” para  um lugar mais justo e com oportunidades, que só serão possíveis com a reparação histórica e políticas de inclusão.

Empreender com cannabis

Empreender com cannabis é lidar com o sistema capitalista bugando o tempo todo, desde o momento em que você percebe que deseja criar uma solução para um problema que as pessoas foram privadas de saber da existência. 

Esse problema dói mesmo sem ver. A cannabis pode tratar mais de 30 patologias e o seus usos industriais atendem a mais de 15 ODS  da ONU, fatores que tornam a sua área de atuação muito promissora para a sociedade e o meio ambiente. 

Hoje, conforme dados da Kaya Mind, cerca de 50 mil pacientes recebem tratamento à base de cannabis com medicação importada pela Anvisa ou via associação. 

O número é pífio se comparado com as milhares de pessoas que poderiam ter uma qualidade de vida muito maior com o uso da cannabis medicinal. O potencial de crescimento do meio canábico é inestimável.

O proibicionismo da Guerra às Drogas, feito para discriminar negros e latinos além de derrubar a concorrência com os eficientes produtos à base de cannabis de forma radical, ironicamente, criou um verdadeiro Frankenstein no empreendedorismo canábico.

Sem concorrência

Aqui no Brasil, a mão do mercado de Adam Smith faz um joinha e um mini Hang Loose toda vez que tentam impôr regras tradicionais em ação.

A primeira regra a vir abaixo é a famosa busca por derrubar os concorrentes. Em um mercado zerado não existe concorrência, até porque a quantidade de pessoas que podem usufruir dos benefícios da planta é esmagadoramente maior do que os serviços e produtos hoje disponíveis.

Um mercado só existe com setores, subdivisões que só serão possíveis se mais pessoas empreenderem em determinadas áreas. Por exemplo, não dá para dizer que existe um setor têxtil de cânhamo no país se apenas duas ou cinco marcas trabalharem com tecidos e roupas canábicas. 

Mas a conversa muda de tom quando mais de 100 empresas atuarem de forma viável, desse jeito, pode começar a falar na existência de um setor de cânhamo têxtil consistente capaz de aumentar a pressão por mudanças na legislação que ampliem as possibilidades de negócio no Brasil. 

Reparação histórica

Da mesma forma, empreender sem apoiar a reparação histórica em relação às maiores vítimas da Guerra às Drogas é perpetuar toda desigualdade e criar uma base frágil de um mercado acessível apenas para poucos privilegiados. 

Continuar a  propagandear que o Brasil tem  potencial de ser o maior mercado consumidor da Cannabis na América do Sul sem levantar a bandeira da reparação é espalhar fake news nas empresas e investidores internacionais. 

Afinal, quem vai ter potencial de consumir dentro da realidade brasileira sem nenhum tipo de suporte? Qual é o tamanho real desse “super mercado consumidor brasileiro”?  

Incentivo

Parece papo de coaching, mas a união é fundamental. No mercado canábico, uma andorinha só não faz nem o verão da Lata. 

Por isso, se você quer atuar nesse meio, precisa entender que é essencial somar forças e incentivar outras pessoas a atuarem no mesmo setor que o seu. 

Sim, você precisa dar forças para a sua concorrência existir ou você vai ser engolido pelas leis proibicionistas que impedem o avanço da venda de produtos e serviços.

Não soltar a mão de ninguém é a única forma de sobreviver.

Hempreendedorismo

“Não existe concorrência, existe resistência” é uma das premissas da Xah com Mariaz, hub de empreendedorismo feminino canábico criado para dar suporte educacional a mulheres que desejam abrir uma startup ou empresa canábica.

Hoje, começamos a coluna no Cannalize em que vamos mostrar reflexões e ideias femininas sobre o hempreendedorismo canábico que surgem quando se está botando a mão na massa.

Em maio, mês das mães, acontece a primeira edição do Hempreenda Xah, programa de empreendedorismo formado por uma série de workshops com facilitadores que são referência no meio canábico mostrando o caminho das flores a partir de suas experiências reais no setor.

A data foi escolhida porque a Xah com Mariaz acredita que a mesma força das mulheres mães de pacientes que unidas revolucionaram as leis canábicas irá construir um mercado canábico mais justo, equitativo e feminino. 

Afinal, como já foi dito, será apenas pela união e a mobilização pública que conseguiremos mudanças verdadeiras e as mães são a maior potência transformadora da cannabis no Brasil.

Bem-vindas à jornada da Xah com Mariaz, na próxima coluna vamos falar sobre quais são as possibilidades de hempreendedorismo com cannabis hoje.

Danila Moura

Alumni Pulse 8 B2Mamy/Google for Startups e Founder Institute Sao Paulo. ITerapeuta canábica, COO Xah com Mariaz, jornalista que já trabalhou p/ players como Revista Exame, Veja SP, Aventuras na História, Folha SP, Bem Bolado Brasil r Monkeybuzz. Foi assessora de imprensa de Cultura na Red Bull e Red Bull Station. Trabalhou na redação de playlists do Apple Music através da Bridgehead Media.

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